Tecnologia ‘pensante’ promete mudar a vida das pessoas

Você já ouviu falar em Computação Cognitiva? É a capacidade de computadores ‘pensarem’ (quase) como seres humanos. O conceito é relativamente novo, mas deve ditar regras na tecnologia num futuro próximo. As aplicações mais visadas estão na Medicina, na Música, na hotelaria, na Justiça e na Gastronomia.

“Se existe algo mais importante que o conhecimento, é saber como usar esse conhecimento”, diz Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM Brasil. A multinacional IBM entrou na nova era da tecnologia com seu sistema de computação cognitiva Watson, já utilizado em mais de 280 empresas pelo mundo.

Na medicina, por exemplo, o computador auxiliaria os médicos na analise de dados, como: a idade do paciente, o aparecimento da doença, riscos de cirurgia, entre outros. O método já é usado pelo Watson Oncology (IBM), sistema que usa este tipo de tecnologia para recomendar tratamentos contra o câncer. Seu banco de dados inclui milhares e milhares de pesquisas científicas na área, além de históricos reais de pacientes que se livraram ou não da doença. A IBM possui parceria com dois hospitais líderes no tratamento do câncer nos Estados Unidos, que já estão trabalhando com o Watson Oncology: o MD Anderson, em Houston, no Texas, e o Memorial Sloan-Kettering, em Nova York.

Quem gosta de cozinhar ou vive da gastronomia deve conhecer o Bon Appétit, um dos maiores sites de receitas do mundo. A IBM criou para ele o aplicativo Chef Watson, que utiliza a computação cognitiva para fazer recomendações de receitas considerando as pesquisas dos usuários e seus gostos alimentícios cadastrados. Essa talvez seja a forma mais comum e acessível de usar a computação cognitiva no nosso dia-a-dia.  Funciona assim: digamos que você tenha em casa tomate cereja, alho poro e gengibre fresco e deseja usá-los para fazer um jantar. Basta visitar o site, selecionar esses três alimentos e o sistema vai te dar ideias de receitas que possam dar certo com a combinação indicou. “O Chef Watson é um aplicativo que funciona como uma espécie de assistente para os chefes de cozinha”, diz Gandour.

Deu certo? É hora de aprovar a sugestão do aplicativo. Assim, quando outras pessoas quiserem misturar os mesmos ingredientes, o Chef Watson indicará a receita com mais certeza, uma vez que terá “aprendido” que deu certo. O Chef Watson está disponível gratuitamente na internet (em inglês). O projeto também virou livro, chamado Cognitive cooking with Chef Watson, que reúne 65 receitas com combinações inéditas de ingredientes criadas a partir do aplicativo.

Ela é considerada lenta por muitos e tem até um jargão “A Justiça tarda, mas não falha”. Pois bem, é no Poder Judiciário que a computação cognitiva tem chances de atuar de forma muito eficiente, conferindo mais celeridade aos trâmites jurídicos. Primeiro porque, de modo geral, os processos se repetem, embora cada um tenha suas particularidades. Segundo, porque tudo deve ser julgado com base nas leis. Logo, o cruzamento de dados de informações no computador pode auxiliar que advogados, promotores, defensores e juízes analisem cada caso com mais agilidade. “O juiz tem de tomar uma decisão com base num calhamaço de papéis do processo. Ele pode pode usar o Watson, que vai ajudá-lo a interpretar o processo à luz da jurisprudência existente”, diz Fábio Gandour. O mesmo vale para cruzamento inteligente de informações de banco de dados das polícias.

A Música também é um terreno promissor para esta nova tecnologia. O MusicGeek, aplicativo criado pela empresa britânica Decibel Music Systems, usa a tecnologia Watson para procurar pela internet, identificar conexões e tendências musicais, a partir de uma busca feita pelo usuário no próprio aplicativo. A pesquisa coleta dados ligados ao artista, single, álbum, tema, gênero musical, localização, etc. Feito isso, em poucos segundos o usuário recebe uma lista inteligente de recomendações de novas músicas e seus respectivos artistas, todas relacionadas à busca inicial.

A computação cognitiva também já está sendo inserida na indústria hoteleira visando melhorar a experiência em viagens. A empresa Go Moment, por exemplo, criou em parceria com a IBM o aplicativo Rev1. Oferecido a hotéis, o app responde dúvidas dos hóspedes e atende necessidades, como o pedido de refeições no quarto ou recomendações de pontos turísticos da cidade. É o “concierge digital”.

E como aprender a utilizar essa nova tecnologia? No Brasil, a IBM sentiu a necessidade de ensinar sobre isso na universidade e firmou parceria com Mackenzie, ESPM e Insper, em São Paulo, para formar profissionais especializados em computação cognitiva. O assunto tem disciplinas relacionadas em cursos de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado em diversas áreas.

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