Rolé Carioca faz roteiro especial pelos 450 anos

Para festejar os 450 anos da fundação do Rio de Janeiro, a turma do Rolé Carioca vai fazer no dia 29 de março, a partir das 9h, com encontro marcado no Largo da Misericórdia, no Castelo, um passeio guiado por professores de História da Estácio de Sá. A viagem no tempo e no espaço abre a terceira temporada dos rolés educativos pela cidade e também faz parte das celebrações oficiais do aniversário do Rio. Os participantes serão capitaneados por William Martins e Rodrigo Rainha, rumo ao nascimento do Rio, gerado em torno de um quadrilátero, os Morros de São Bento, da Conceição, do Castelo e de Santo Antônio. Sabe o que é melhor? O rolé é gratuito e não requer inscrição. É só chegar na hora marcada!

O roteiro traçado é o seguinte: Ladeira da Misericórdia, Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso, Igreja de Santa Luzia, Rua Santa Luzia, Biblioteca Nacional, Museu Nacional de Belas Artes, Rua da Carioca, Largo da Carioca, Rua Uruguaiana, São Benedito dos Pretos, N. S. Rosário, Camelódromo, Universidade Estácio de Sá, Rua Marechal Floriano, Igreja de Santa Rita, Av. Rio Branco, Rua Dom Gerardo, Museu do Mar, Pedra do Sal, Morro da Conceição  e Jardim do Valongo. A previsão é que a caminhada histórico-cultural dure cerca de duas horas e meia.

Panorâmica do Centro do Rio com Morro do Castelo, A. Ribeiro, Arquivo BN Digital

Mapa do Tesouro

Desmonte do Morro do CasteloO início do passeio resgata a memória do Morro do Castelo, desmanchado pelo prefeito Pereira Passos, na década de 1920. A Ladeira da Misericórdia é o último vestígio do local, que em sua descida tinha as duas ruas que lhe davam acesso, a mais conhecida era a Rua Direita, que dá origem a atual Avenida Primeiro de Março que, aliás, tem o nome ligado a fundação da cidade oficializada pela Coroa portuguesa: 1º de março de 1565. A fundação foi pouco documentada, mas eternizada em relatos de festas anuais em que inclusive era retratada a figura de São Sebastião virando as canoas dos índios tamoios, na Baía de Guanabara, com direito a participação popular e danças.

E o Rio ainda era mais especial, porque a Baía de Guanabara tinha a topografia perfeita para defesa: boca relativamente estreita, as ilhas propiciavam frentes de defesa, mas o centro da cidade precisava ser protegido, afinal os franceses tentavam voltar pelo interior para retomar a cidade. Aí a solução foi aproveitar um quadrilátero de morros que o centro do Rio de Janeiro possuía: Morro de São Bento, Morro da Conceição, Morro do Castelo e Morro de Santo Antônio, que ocupam o centro do que seria a nova cidade do Rio de Janeiro.

“O Rio e os cariocas não foram uma invenção, um acidente. Ao passear pela cidade no contexto do Rolé Carioca, é possível para o morador se identificar, entender suas origens, seu estilo, seu cabelo, a complexa narrativa que o envolve e identifica. E para não moradores, essa alma carioca exala a cada esquina, com cheiros, cores, formas e pessoas que moldam a cidade”, diz Rodrigo Rainha.

Curiosidades

– Ao chegarem ao Rio, no século XVI, os portugueses encontraram uma cidade tomada por pântanos, morros, mangues e mar. No amplo trecho que vai da Igreja da Candelária à Praça Tiradentes e da Rua da Assembléia à Av. Marechal Floriano havia enorme lâmina d’água que, um século depois, se dividiu em duas lagoas: da Lampadosa e da Pavuna. A esquina mais cosmopolita do Rio – Av. Presidente Vargas com Av. Rio Branco – ficava no fundo d’água.

arcos-da-lapa-1925– O primeiro morro a ser destruído na cidade, em meados do século XVIII, foi o das Mangueiras, próximo aos Arcos, e seu entulho serviu para aterrar a Lagoa do Boqueirão. O seguinte foi o Morro do Senado (ou de Pedro Dias), por volta de 1910. A maior parte da Lapa e da Av. Mem de Sá estão construídas onde ele existiu. Depois, chegou a vez do Morro do Castelo, em 1922. O último dos grandes morros derrubados foi o de Santo Antonio, nas proximidades dos Arcos.

– No “bota-abaixo” do prefeito Pereira Passos, em 1905, destaca-se a demolição de mais de 500 prédios velhos no Centro.

– Os aterros na Baía de Guanabara tomaram impulso a partir do século XX, principalmente para atender às necessidades dos novos meios de transporte. No Centro, o aterro na Ponta do Calabouço serviu para a construção do Aeroporto Santos Dumont; em direção à Zona Sul foram projetadas pistas de alta velocidade para automóveis (Aterro do Flamengo), e na região da Gamboa e Saúde, construiu-se um gigantesco cais do porto para atender à demanda da navegação. Houve muitos outros grandes aterramentos, principalmente na Zona Norte.

– Um detalhe do qual pouca gente se dá conta é o gigantismo do aterro na região na zona portuária e no bairro de São Cristóvão: no século XVII, a igrejinha deste santo ficava à beira d’água e os pescadores costumavam amarrar seus barcos na porta dela; hoje, dista quase um quilômetro da baía. A igreja de Santa Luzia, no Castelo, em 1910 situava-se à beira-mar e agora, com os aterros, são 800 metros dela até a orla. Também a Ilha de Villegaignon parece ter “caminhado”: em 1555, quando os franceses a ocuparam, a ilha ficava a um quilômetro e meio da Praça XV e hoje está “coladinha”, ligada por uma rua, ao Aeroporto Santos Dumont.

Programação variada

Neste ano em que se comemora o 450º aniversário da fundação do Rio, o Rolé integra a programação oficial da cidade, elaborada pelo Comitê Rio450, e traz uma série de novos passeios por todas as suas regiões, reverenciando a essência carioca das Zonas Oeste, Norte e Sul, Centro, da charmosa Paquetá e até da irmã-vizinha Niterói.

Confira programação desta terceira edição abaixo:

  • 29/3 – Especial Rio 450 Anos – O quadrilátero da fundação da cidade

Ponto de encontro: Largo da Misericórdia

  • 26/4 – Niterói

Ponto de encontro: Praça XV, em frente à Estação das Barcas (Rua Primeiro de Março – Centro) e Praça do Araribóia (Em frente à Estátua do Araribóia – Niterói)

  • 31/5 – Catete

Ponto de encontro: Largo do Machado (Rua do Catete – próximo à academia ao ar livre)

  • 28/6 – Santa Cruz

Ponto de encontro: Estação de trem de Santa Cruz (Rua Álvaro Alberto, 1160) e Central do Brasil (Praça Cristiano Otoni)

  • 30/8 – Catumbi/Estácio

Ponto de encontro: Em frente à entrada da praça do Metrô Estácio (Rua Joaquim Palhares)

  • 27/9 – Paquetá

Ponto de encontro: Praça XV, em frente à Estação das Barcas (Rua Primeiro de Março – Centro)

  • 25/10 – Penha

Ponto de encontro: Em frente à estação de trem da Penha (Rua José Maurício com Rua dos Romeiros)

  • 29/11 – Saara

Ponto de encontro: Em frente à estação Uruguaiana do Metrô, na saída da Rua Uruguaiana (Rua Uruguaiana com Rua da Alfândega).

Serviço: SEMPRE no ultimo domingo de cada mês, de março a novembro (exceto julho), a partir das 9h, nos pontos de encontro divulgados na página do projeto no facebook (e em breve no aplicativo!). Em caso de chuva forte o passeio é adiado para o domingo seguinte.

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