Palestras sobre universo cultural e artístico com acessibilidade para surdos


Jadson Abraão, tnterprete de Libras do Artsonica
Foto: Reprodução Facebook

Apesar de avanços em termos de acessibilidade, surdos ainda enfrentam barreiras de acessibilidade, segundo o IBGE, 9,7 milhões de brasileiros são surdos ou têm deficiência auditiva. A importância de gerar meios para que essa população com necessidades especiais tenha condições de participar ativamente no mercado de trabalho, eventos, cultura e educação é um desafio a ser ultrapassado. Essa tem sido uma preocupação do projeto Artsonica Residência Artística, por exemplo, no qual as palestras gratuitas do PapoSonica – evento mensal no qual os artistas residentes do projeto apresentam o andamento de suas criações ao público, possuem transcrição simultânea em língua de sinais, a conhecida LIBRAS.

Julio Zucca, diretor do Artsonica, e Jorge LZ, curador do evento que tem o patrocínio da Oi.

No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais, que é a segunda língua oficial do país e a maioria dos movimentos que os surdos fazem com as mãos, o corpo e a face tem significado específico. As expressões faciais não são feitas apenas para causar impacto dramático. São parte importante da gramática da língua de sinais. Segundo o intérprete do Artsonica Residência Artística, Jadson Abraão, professor de de LIBRAS, pós-graduando em Acessibilidade Cultural pela UFRJ e sócio da JBL Traduções os surdos sempre agradecem pela oportunidade que o Artsonica tem gerado a eles de estarem inseridos em novidades culturais.

“Poder participar do Artsonica tem sido um presente. É importante tornar um conteúdo de interesse mutuo acessível para os surdos e, dessa forma, eles também poderem usufruir dessas informações. Tudo na vida é informação e isso empodera os surdos. Eles são bem-vindos independentemente do modo de comunicar, e isso é essencial. Quando falamos sobre aprender outro idioma, as pessoas pensam em línguas estrangeiras e compreendem bem a importância de saberem se comunicar, mas quando falamos em Libras, ainda recebem isso com estranheza. Os surdos falam uma língua diferente dentro da nossa própria língua brasileira. Ter um interprete de Libras é dar acessibilidade, é ampliar o público que pode ser atingido pela cultura”, afirma Jadson Abraão, que é interprete há 19 anos.

No caso do Artsonica Residência Artística, o objetivo é dar acesso ao conhecimento e às novidades que os artistas residentes do projeto realizado pela Zucca Produções (em parceria com Oi Futuro e Ministério da Cultura) estão desenvolvendo antes mesmo das obras multimídias – muitas delas sensoriais – irem para a exposição a partir do segundo semestre deste ano no Centro Cultural Oi Futuro, no Flamengo, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro.

“Não se trata apenas de cumprir a Lei, mas de garantir a inclusão de pessoas surdas nos processos criativos da cultura. Por isso contratamos os intérpretes. São mecanismos que facilitam aprendizado daqueles que necessitam de tratamento especial. Nossas palestras são gratuitas e também transmitidas ao vivo na internet”, diz Julio Zucca, diretor da Zucca Produções.

O dia 26 de setembro, foi escolhido como sendo o Dia Nacional do Surdo, a data marca uma série de atividades voltadas para a conscientização e esclarecimento sobre a deficiência auditiva. Boa parte da população ainda enfrenta dificuldades para conseguir realizar atividades cotidianas. Por isso, em 2002, por meio da sanção da Lei n° 10.436, que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão no País. A legislação determinou que deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos.

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