O “Fio da Memória”, de Luísa Maita, ganha asas em festivais

Luísa Maita será a única cantora brasileira que irá se apresentar em setembro no festival Austin City Limits Music Festival (ACL) ao lado de pesos pesados da música internacional como Radiohead, Kendrick Lamar, LCD SoundSystem, Corinne Bailey Rae e Flume. A paulistana, de 35 anos, aflorou na música independente nos últimos anos. Seu nome, sua voz e suas composições ganharam notoriedade em 2010 com o álbum “Lero-Lero”, que teve a música homônima, ao lado de “Desencabulada”, no longa-metragem “Boyhood” (2014), de Richard Linklater. Agora, com o álbum “Fio da Memória” (2016) a artista vai além das raízes da música brasileira que embasaram o início de sua carreira e traz um forte twist autoral nos batuques orgânicos suingados, com elementos eletrônicos que por vezes evocam o mood psicodélico, relaxante e sensual do trip hop da década de 90.

“Fio da Memória” começou a ser gravado em 2012 e vai um pouco mais além das raízes da música brasileira, tem batuques orgânicos suingados, elementos eletrônicos que remetem ao mood psicodélico, relaxante e sensual do trip hop da década de 90. Ele começou a ser gravado em 2012 e aos poucos foi incorporando itens mais acústicos. Os estilos vão do eletrônico ao tribal, passeia pelo cancioneiro brasileiro, o jazz, dancehall. É urbano.

“O álbum é sobre o que é o Brasil hoje esteticamente, nessa era eletrônica. É um álbum muito subjetivo, pessoal e emocional. Eu tentei não me limitar a um certo estilo musical, e nessa diversidade há unidade. Queria rever os ritmos brasileiros e outros sons que ouvi crescer, por uma perspectiva contemporânea, eletrônica e urbana.com uma estética marcadamente eletrônica e aos poucos foi incorporando uma musicalidade mais acústica, passeando por várias linguagens”, explica Luisa Maita.

O disco tem sonoridade intensa, que ganha nuances interessantes na sensualidade vocal sutil de Luisa. “Tudo tem a medida certa para atingir o máximo de expressão com o mínimo de afetação. É muito intenso e cheio, forte e quente. As letras têm uma linguagem quase onírica, sem buscar uma lógica narrativa. As frases muitas vezes se desmancham no ar. Os diálogos são internos e jorram sensações. São versos viscerais cuja beleza está na conexão quase aleatória que estabelecem entre si. Tentei alcançar uma interpretação que fosse ao mesmo tempo intensa e leve. Sutil e quente, como está em uma das letras. Um canto que transborda feminilidade e emoção”, completa.

É essa marca que a cantora e compositora vai ganhar asas durante sua turnê internacional marcada para ser iniciada em 23 de setembro. Antes, porém, os brasileiros poderão ver em dois shows seguidos de Luísa Maita no Festival Levada 2017, nos dias 09 e 10 de agosto, quarta e quinta, às 20h, na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema.

Essa é a primeira vez que a cantora sobe ao palco do Festival Levada, que acontece até o dia 7 de setembro. Em sua sexta edição e tem como missão difundir a música autoral e independente, fazendo circular o que há de mais novo na cena do país trazendo ao Rio de Janeiro artistas de várias regiões do Brasil. Em julho, os shows foram realizados na Tijuca, no Centro da Música Carioca Artur da Távola. Agora, chegou a vez de Ipanema entrar no circuito indie nacional num evento que tem a produção e direção geral de Júlio Zucca, curadoria de Jorge Lz e patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro, da Secretaria Municipal de Cultura e da Oi – por meio da Lei de Municipal de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro – Lei do ISS. Os ingressos têm preços populares: R$ 20 e meia a R$ 10.

O show mostrará aos cariocas as músicas do novo álbum, que conta com nomes como Fernando Catatau, Samuel Fraga, Rodrigo Campos, Tejo Damasceno, Zé Nigro, Marcelo Maita e Luiz Cavalcanti. Aliás, com arranjos marcantes, o disco tem contrastes entre momentos intimistas e explosivos, ritmados e dançantes. A faixa “Na Asa”, parceria com Tejo Damasceno, que também assina a produção, inaugura o CD com a incorporação massiva de beats e programações à canção de Luisa, que aqui fala de um menino da periferia que, por mais que a vida seja difícil, tem que acreditar nos seus sonhos e transcender o cotidiano.

O trabalho recém-lançado da cantora também abriga influências do rap paulistano, jazz, pop rock e até a força do samba, em homenagem a Jamelão e Dorival Caymmi com a música “Folia”. Fã de Kanye West, Stromae e M.I.A., a compositora investe em incursões musicais mais dançantes em “Fio da Memória”. Um dancehall com ritmo inspirado no ritual dos dervixes do oriente médio, no qual o samba aparece ao mesmo tempo. O disco está imerso em questões femininas, como na terceira faixa, “Olé”, uma bossa nova contemporânea sobre empoderamento feminino e auto-estima. “Uma música que compus para esse disco, mas com ideias que já me acompanham há muito tempo. Única faixa inteira em inglês, “Around You”, é uma poesia subjetiva sobre o amor que se torna maior que tudo, em um ritmo de terreiro de Candomblé, de influência africana, que no Brasil é chamado 6/8.

 

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