Não é não! Campanha contra o assédio no Carnaval se espalha pelo país

Não é Não! (Foto: Paula Molina e Henrique Fernandes/Divulgação)

Iniciativa criada no Rio de Janeiro chegou a Belo Horizonte, Bahia, Pernambuco, Vitória e São Paulo neste Carnaval. Distribuindo tatuagens adesivas para as mulheres, a ideia é fazer uma rede de apoio durante a folia. O assédio acontece quando há insistência, incômodo, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém.

Tatuagem temporária para deixar alerta permanente (Foto: Paula Molina e Henrique Fernandes_Divulgação)

“Foi preciso escrever para as pessoas entenderem que não é não”, disse Luiza Alana, integrante de um coletivo de mulheres que usa a informação, o empoderamento e tatuagens temporárias como instrumentos contra o assédio. A ideia começou no Rio de Janeiro durante o carnaval do ano passado. A distribuição gratuita das tatuagens com os dizeres “Não É Não!” deu tão certo que neste ano se espalhou não só no Rio, mas também em Belo Horizonte, Bahia, Pernambuco, Vitória e São Paulo.

As cartelas são destinadas apenas às mulheres. Infelizmente alguns muitos homens ainda levam a campanha de empoderamento feminino na brincadeira. “Eu tive que explicar que o corpo que ainda precisa dizer ‘não’ é o da mulher. É o meu [corpo]. Mas, nós queremos que os homens também entrem na luta contra o assédio se conscientizando, ‘puxando a orelha’ daquele amigo mais folgado, denunciando e nos ajudando quando presenciarem alguma situação assim”, explicou Luiza Alana.

Não é Não!

WhatsApp é usado em Pernambuco para receber denúncias (Imagem ilustrativa)

Em Belo Horizonte, os blocos Alô Abacaxi, Garotas Solteiras, Bruta Flor, Acorda Amor e É o Amô são parceiros do projeto. Luiza, que toca em pelo menos quatro deles, além do Então, Brilha!, Us Beethoven e Roda de Timbau, disse que a proposta é disseminar as tatuagens por todo o carnaval.

Em Pernambuco, a revolta e o descontentamento com as experiências de assédio no carnaval motivaram três organizações da sociedade civil a criar uma ferramenta independente para ouvir e acolher vítimas desse tipo de crime no Recife e em Olinda. A iniciativa #AconteceuNoCarnaval existe desde 2017, mas, em 2018, a ferramenta ganhou um WhatsApp para receber relatos de foliões que presenciaram ou sentiram na pele a violência de gênero.

No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI) vai lançar a campanha “Carnaval é curtição, respeita o meu não”, contra o assédio sexual durante o carnaval. O material está sendo veiculado no BRT, MetrôRio, SuperVia e nas redes sociais. Equipes do Disque-Denúncia também estarão de prontidão durante os dias de carnaval na cidade no telefone 2253-1177 e pelo aplicativo Disque Denúncia RJ para casos de ações criminosas durante as festas.

Secretária de Cidadania, Nara Borgo, mostra cartaz da campanha de conscientização contra o assédio sexual (Foto: Thiago Coutinho/A Tribuna)

Em Vitória (ES), não será tolerado qualquer tipo de assédio contra mulheres. Inclusive, elas agora contam com número para denunciar durante a folia: o 156. Assédio não é brincadeira, uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular revelou que quase metade dos homens entrevistados disse que a folia não é lugar para “mulher direita”.

“A gente vinha pensando em fazer algo para conscientizar os homens. Quando a pesquisa saiu, percebemos como era muito urgente tratar do tema. Decidimos então fazer a campanha”, explicou a secretária de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho, Nara Borgo em entrevista ao jornal local A Tribuna.

Ao ligar para o 156, a mulher receberá orientações. Se tiver com lesão, por exemplo, será encaminhada à polícia e ao Centro de Referência de Atendimento à Mulher em situação de Violência. As informações ainda poderão ajudar a compor dados e as próximas ações para coibir este tipo de violência.

 

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