Voluntários cariocas reabilitam pets e dão exemplo de respeito e amor à vida animal

Foto: Ilustração/Pixabay

Fundado em 2015, na cidade do Rio de Janeiro, o Grupo Aconchego Animal é formado por um grupo de voluntários que partilham dos mesmos ideais: reabilitação, adoção, respeito e amor à vida animal. A turma atua na causa animal há mais de 15 anos e tem como missão fazer campanhas educacionais de conscientização sobre posse responsável e castração. A produtora cultural, Lu Ferreira, 36 anos, é a idealizadora da ONG. Ela resgata pets abandonados que precisam de reabilitação, correm risco de morte ou foram vítimas de maus tratos, deixando-os em condições de adoção, ou seja, castrados, vermifugados e vacinados. Que tal aconchegar também?


Valor Atemporal – Como nasceu essa sua vontade de ajudar os animais?

Lu Ferreira – Cresci vendo meu pai e minha mãe cuidarem de cães, porém, o fato de morar em local de extremo abandono me fez despertar o lado da caridade. Recolhi o primeiro bichinho em 1996, uma cadelinha abandonada na nossa rua em São João de Meriti (RJ). Adotamos. Ela chamava se Preta e viveu conosco por 13 anos.

Como surgiu o PROJETO ACONCHEGO ANIMAL?

Eu sempre fui voluntária de algumas ONGs, com o passar do tempo senti a necessidade de ter algo pra defender meus próprios ideais. Eu acolho, reabilito e faço a adoção responsável de cada animal pessoalmente.

Lu Ferreira e a ONG Aconchego Animal
Lu Ferreira e a cadelinha Tutti, deficiente visual resgatada, tratada e adotada.

Quantos pets estão sob os cuidados do grupo? Vocês contam com ajuda de quantos voluntários?

No momento são 14 cães sendo seis filhotes, seis fêmeas e dois cachorros deficientes. Temos ainda 10 Gatos, sendo cinco filhotes e quatro adultos. Todos para adoção. No gatil (abrigo) temos 15 gatos, sendo seis em tratamento, nove renais e idosos, nenhum para adoção. Para os trabalhos contamos com a ajuda de 4 voluntários que se revezam nos eventos de adoção, recebendo doações e divulgando online.

Tem uma curiosidade sobre seu trabalho, você estava indo desfilar no Carnaval do Rio quando viu uma gatinha abandona e correu para socorrê-la. Como foi isso?

Sim, foi em fevereiro na Linha Vermelha. Avistei ele no canteiro e parei o carro, corri muito com medo dele ser atropelado e consegui resgatar, estava cheio de machucados com bichos o comendo vivo, deixei na casa de um amigo com água e comida, fui desfilar e voltei pra buscar as 4 da manhã! Levei ao veterinário e descobri que ele era castrado e estava com uma doença de pele, por isso provavelmente foi abandonado, hoje, três meses depois ele já esta bem melhor, porém ainda em tratamento. Se chama White.

pretinhaVocê também recolheu um cachorro que estava com infestação de pulgas e carrapatos. Como o bichinho está hoje?

Pitanga! Ela estava acorrentada desde filhote em Bangu. 1 ano na corrente… A responsável aceitou entregar o animal e o estado era deplorável. Infestação absurda, doença, ouvidos infeccionados, hoje faz 1 mês e ela já esta saudável, castrada e vacinada.

Seu trabalho é realmente emocionante e importante. Tem alguma outra história de resgate que a marcou?

Nosso querido Antonio, um cão que vivia nas ruas e foi atropelado, recebemos o pedido de ajuda de que ele estava com a perna quebrada, procuramos ele por uma semana e ao encontrar nos deparamos com uma cena de horror, metade a sua perna tinha caído porque os bichos estavam devorando, socorremos imediatamente e ele foi amputado, se recuperou, reaprendeu a andar e hoje está lindo, saudável, castrado e vacinado pronto para adoção.

Jujuba e Frajola 3 mesesTemos vistos tragédias naturais onde muitos animais acabam ficando disponíveis para a adoção e acabam indo parar nas casas de pessoas movidas pela emoção que, por vezes, acabam se arrependendo. Quais são os cuidados que têm para que os animais sejam adotados por pessoas que verdadeiramente queiram cuidar deles?

Fazemos entrevistas específicas e contrato de adoção, onde a pessoa assina um termo de compromisso com aquela vida. Emoção não pode jamais ser parâmetro para adotar. Adotar é assumir uma vida pra cuidar, uma vida que depende de você.

Qual é a maior barreira que vocês encontram quando o assunto é adoção?

Pessoas que não querem concordar com a castração dos filhotes ao completar 6 meses e pessoas que só querem adotar cães porte pequeno. Infelizmente ainda temos que conscientizar que a castração evita ninhadas indesejáveis e previne doenças malignas. Além disso, cães porte médio e grande também podem ser educados e viver em apartamentos com uma família sem causar problemas. 

ianaÉ muito duro quando vemos notícias sobre maus tratos com animais. Como protetora, o que você tem a dizer para a população sobre isso?

Precisamos denunciar! Não podemos nos calar! Nós somos a voz deles! Existe a Lei 9.605/98, em seu artigo assim dispõe: “Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa. Mas para que ela seja exercida nós temos que fazer valer. Temos que nos encorajar.

Você precisou montar uma rede de ajuda voluntária para trabalhar com esses resgates, castrações, educação e reabilitação de animais abandonados nas ruas. Fale-me um pouco das profissionais/pessoas que te ajudam?

marromSim, temos uma página Aconchego Animal no Facebook e através dela conseguimos algum tipo de ajuda que vai desde alimentação, remédios e produtos de higiene, temos um amigo Robinson Levy que produz e edita as artes e vídeos pra divulgar os animais e os eventos, temos a SEPDA (Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais) que faz agendamentos gratuitos de castração, a Equipe de Passeadores de Cães HappyDog que nos ajuda com todo o suporte na montagem dos eventos na Zona Sul; os voluntários mais que especiais Cris Costa, Patricia Roz, Isabel Portugal, Bianca Albuquerque, Sandra Abreu, Stefani Dt dentre outras que estão sempre com a missão em mãos de conscientizar nos eventos e o mais importantes: os veterinários parceiros que apoiam e ajudam os casos mais graves com profissionalismo, carinho e valor solidário!

Nossos Eventos acontecem aos sábados em bairros como Leblon, Barra, Copacabana e Ipanema. Sempre com datas divulgadas com antecedência na Page. Para participar como Voluntário ou Protetor Convidado basta entrar em contato através do inbox ou acocnhegoanimal@yahoo.com 

romeuAtuando com um grupo de protetores que dão Lar Temporário em suas próprias residências e cuidando de animais nas ruas da cidade, vocês gostariam de ter um abrigo?

Gostaríamos sim, muito! Desta forma com certeza conseguiríamos ajudar mais. Ainda não recebemos nenhuma proposta, mas trabalhamos para que um dia isso possa virar realidade.

Como vocês custeiam as despesas com os tratamentos, alimentação e demais cuidados com os pets? Que tipo de itens vocês aceitam como doação?

Os custos saem na maioria das vezes do nosso salário mesmo, com a ajuda de alguns amigos conseguimos arrecadar um pouco para os casos mais graves pois não conseguimos dar conta, a alimentação e as medicações vem de amigos que doam através da Página e da nossa parceria com a Ong Ampara Animal que com apoio da Pedigree,  Whyskas e da Agener consegue nos ajudar nessa luta pra diminuir a fome e o sofrimento dos animais abrigados aqui no Rio. Aceitamos rações de cães e gatos, vermífugos, material de limpeza, jornal, toalha e caminhas mesmo usadas.

FRAJOLA, 2 MESES,Qual é o maior retorno que você tem com o seu trabalho?

Ver consideravelmente a diminuição de animais perambulando como mendigos nos bairros, ver a  alegria de um cão que foi descartado no lixo, indo embora no colo de um adotante sendo beijado e protegido. Ninguém precisa ser Protetor para ajudar um animal abandonado,basta ter compaixão e coragem para praticar. Acolher em casa, dar um banho, alimentar, cuidar e colocar pra adoção usando as redes sociais e a ajuda de amigos, todos nós podemos e devemos ser a força pra um futuro melhor, não só para os animais, mas também para as crianças, idosos e todo ser que sofra com abandono e injustiça! “Não existe salvação fora da caridade”, disse Allan Kardec.

 

Publicado em: 15 de maio de 2016

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