Livro “Rio de Janeiro: Centro Histórico Colonial – 1567-2015” ganha reedição ampliada

Jean-Baptiste Debret, 1839. Acceptation provisoire de la constitution de Lisbonne, à Rio de Janeiro (Aceitação provisória da constituição de Lisboa, no Rio de Janeiro). Do livro Voyage Pittoresque et Historique au Brésil. Acervo Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro icon393054_ 178

Lançada pela primeira vez em 1998, a obra de referência “Rio de Janeiro: Centro Histórico Colonial – 1567-2015”, de Nireu Cavalcanti, ganha uma edição revisada e ampliada. O lançamento acontecerá na próxima quarta-feira, dia 30 de março, partir das 17h, na Livraria da Travessa (Rua Sete de Setembro, 54, Centro do Rio). A segunda edição chega às patreleiras pela Andrea Jakobsson Estúdio Editorial com tiragem de mil exemplares. O valor é R$ 90, cada.

Campo de Santana, Centro - RJ. Franz Joseph Fruhbeck, 1820.
Campo de Santana, Centro – RJ. Franz Joseph Fruhbeck, 1820.

Entre as diferenças para a obra original estão a inclusão de logradouros e a atualização das fotos das edificações remanescentes e do mapa. De acordo com o autor, o mapa contendo a área urbana em 1808, quando a cidade recebeu a Corte portuguesa, está superposto a uma foto aérea atualizada, que inclui todas as transformações havidas até o ano passado.

“O livro resulta de anos de pesquisa sobre a cidade, para a tese de doutorado sobre o Rio de Janeiro setecentista. Fiz fichas dos logradouros com todos os nomes que surgiam em documentos primários e em livros sobre o Rio. Percebi a necessidade para os estudiosos da cidade de um livro tipo dicionário sobre os logradouros e edificações surgidos no período colonial da Cidade Maravilhosa. Como sou arquiteto e urbanista, busquei usar, além do recurso textual, as imagens iconográficas como ilustração do texto”, explica o alagoano Nireu Cavalcanti.

O livro visa ser uma fonte de consultas para os leitores, pesquisadores e historiadores. Isso porque, segundo o autor, “faltava um livro que juntasse todas essas informações, ligando-as a uma linguagem gráfico-visual (mapa, por exemplo) de fácil leitura e identificação”.

Trecho do livro 

Jean-Baptiste Debret, 1839.  Acceptation provisoire de la constitution de Lisbonne,  à Rio de Janeiro  (Aceitação provisória da constituição de Lisboa, no Rio de Janeiro).  Do livro Voyage Pittoresque et Historique au Brésil.  Acervo Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro icon393054_ 178
Aceitação provisória da constituição de Lisboa, no Rio de Janeiro / Jean-Baptiste Debret, 1839.

“É importante entender como se originaram os diversos nomes dados aos logradouros classificados por nossos antepassados, segundo algumas características, de caminho, estrada, azinhaga, campo, paragens, sertão ou rocio, antes de passarem a ser denominados rua, beco, travessa, largo, praça ou praia. Houve um momento em que as autoridades e a população, percebendo as transformações ocorridas na via, passaram a enxergar um caminho como rua, ou um campo como praia e a transição que percorrera de espaço rural ou semi-rural para urbano.

A primeira denominação, em geral, consistia em mera descrição de sua situação em relação a outros logradouros, acidentes geográficos, edificações importantes, marcos referenciais da cidade, ou mesmo formato. Assim, a uma via perpendicular à orla marítima chamou-se “Desvio do mar” e àquela, no alto do morro, “Cume do sal”. Havia o “caminho que vai para a Ajuda” (igreja) e o “que vai da Ajuda para o Desterro”, bem como o “caminho dos Arcos” (aqueduto da Carioca), da Forca ou da Polé, do Boqueirão e as Ladeiras do Seminário ou do Poço do Porteiro, o Beco do Cotovelo, a denunciar que apresentava grande inflexão.

Com o passar do tempo, o logradouro adquiria o nome da edificação mais significativa que por acaso nele existisse ou, porventura, que a ele conduzisse. Assim, foram batizadas a Rua da Cadeia, do Aljube, da Ópera, do Guindaste, do Cemitério, do Rosário, da Alfândega, do Senhor dos Passos, do Bom Jesus, da Candelária, de São Pedro, do Açougue, do Quartel, de Bragança, de Santa Efigênia, da Boa Morte, Detrás do Carmo e Detrás do Hospício… Como se vê, são nomes que, em sua grande maioria, referem-se às igrejas já existentes nesses logradouros.

Morro de São Sebastião/Richard Bate, 1809.
Morro de São Sebastião/Richard Bate, 1809.

Também era comum o povo passar a chamar uma via escolhendo o nome de algum de seus moradores a partir da notoriedade social adquirida. É o caso, por exemplo, da Rua da Assembleia, que antes foi conhecida como a Rua do Padre Bento Cardoso, de Marcos da Costa ou de Manoel Ribeiro. O mesmo se deu com a atual Rua Buenos Aires, que fora do Padre Luiz Mattoso, do Teixeira, de Ascêncio Matoso e do Sebastião Ferrão.

As profissões ou tipo de comércio deram, igualmente, origem a nomes dos logradouros: Rua dos Pescadores, dos Latoeiros, dos Ourives, das Violas, da Quitanda, dos Escrivães, do Sabão, das Carnes-Secas, dos Madeireiros, dos Ferreiros, o Beco dos Barbeiros, o Beco do Azeite, a Praia dos Mineiros e a Praia do Peixe. Até mesmo um fato pitoresco ou marcante para a cidade que ocorrera numa determinada área poderia ser motivo para o batismo do logradouro: Matacavalos, Mataporcos, Quebra-Canela, Rua do Fogo, Rua dos Três Cegos, Rua da Fidalga, Campo dos Ciganos, Rua da Escorregadeira ou Rua do Sucussarará que, para alguns historiadores, advém do fato de ter ali residido um médico especialista em curar doenças do reto, mas, para o qual concorro com outras hipóteses no decorrer deste trabalho”.


Ficha técnica

Rio de Janeiro Centro Histórico Colonial, 1567-2015

Autor: Nireu Oliveira Cavalcanti

Andrea Jakobsson Estúdio Editorial – 148 páginas, R$ 90,00, formato: 21x28cm, ilustrado, colorido, mapa encartado

Edição: português

Apoio: Faperj

ISBN: 978-85-88742-69-7

Textos e pesquisa: Nireu Oliveira Cavalcanti

Impressão: Gráfica Santa Marta

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