Guilherme Wisnik (USP) fala sobre “Arte e Arquitetura” em tempos modernos

Arquiteto, professor e pesquisador Guilherme Wisnik (USP) tratará das formações das cidades modernas e as suas transformações na contemporaneidade


Guilherme Wisnik é arquiteto e ensaísta, colunista colaborador da Revista Piuaí e Folha de São Paulo

O ArtSonica – Residência Artística apresentou a palestra “DENTRO DO NEVOEIRO: ARTE E ARQUITETURA CONTEMPORÂNEAS”, com o professor de História da Arte na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), Guilherme Wisnik. O bate papo aconteceu no ultimo dia 8 de maio, no Labsonica – Oi Futuro Flamengo. O evento teve acessibilidade a surdos com transcrição simultânea em LIBRAS.

Guilherme Wisnik é arquiteto e ensaísta, colunista colaborador da Revista Piuaí e Folha de São Paulo, autor dos livros Lucio Costa (2001), Caetano Veloso (2005) e Estado crítico: à deriva nas cidades (2009), ele “Estado Crítico: À Deriva nas Cidades” (Publifolha), ele pesquisa há anos as formações das cidades modernas e as suas transformações na contemporaneidade.

Em livro, Guilherme Wisnik usa névoa como metáfora da catástrofe iminente.

Dentro do tema “DENTRO DO NEVOEIRO: ARTE E ARQUITETURA CONTEMPORÂNEAS”, Guilherme Wisnik abordou seu novo livro, que faz uma reflexão sobre o estado de incerteza do mundo atual. A imagem do nevoeiro é um elemento crucial na arte e na arquitetura contemporâneas – das obras de Olafur Eliasson e dos tornados perseguidos por Francis Alys, às arquiteturas efêmeras e performáticas, como o “Blur building”, de Diller Scofidio, feito para a Expo’2002. O nevoeiro define também a consistência leitosa e enigmática de muitas das fachadas de edifícios contemporâneos, feitas com vidro serigrafado, jateado, ou placas de policarbonato. Ele é, além de tudo, uma metáfora crucial para se pensar a transformação do cotidiano pela tecnologia e o incessante movimento do capital financeiro pelo mundo, que se dá também em “nuvens”.

Guilherme Wisnik (USP) palestrou como convidado do arquiteto e artista residente do Artsonica – Residência Artística, Ismael Monticell, que está desenvolvendo uma videoinstalação sobre a história da destruição do Morro do Castelo, cuja geografia, cultura, arquitetura e história é o centro do projeto “UM MEMORIAL PARA UM APAGAMENTO”.

Assista a palestra na íntegra

O desmonte do Morro do Castelo


O projeto “UM MEMORIAL PARA UM APAGAMENTO” do artista visual e pesquisador
Ismael Monticelli

É impossível falar sobre um novo coração econômico e sócio-cultural do Rio de Janeiro sem falar do desmonte do Morro do Castelo, local onde a história do Rio de Janeiro começou em 1565. Por quase 200 anos, o Morro do Castelo foi o centro do poder do Rio de Janeiro. Naquela época, abrigava uma fortaleza militar – para resguardar a Baía de Guanabara, a casa do governador, uma cadeia, a sede da câmara, a Igreja de São Sebastião e a Igreja e Colégio dos Jesuítas. Em 1811, temporais de verão provocaram deslizamentos e dezenas de vítimas e, com isso, boa parte do território foi desmanchado para evitar novos desastres. Com o passar do tempo, o morro foi se tornando moradia. Sendo assim, abordar em palestra gratuita a ‘vida e morte’ do Castelo pela ótica de Guilherme Wisnik tem a ver com movimentos de destruição e reconstrução das cidades, bem como com o tema de seu novo livro que trabalha a ideia da cidade sob a metáfora tecnológica da nuvem.


Mestre em Artes Visuais (UFPel) e artista multimídia, Ismael Monticelli, autor da obra multimídia “UM MEMORIAL PARA UM APAGAMENTO”.

“O desmonte começou na administração Pereira Passos, em 1904. Foram construídos os prédios da Biblioteca Nacional, do Museu de Belas Artes e do Centro Cultural da Justiça Federal (antigo Supremo Tribunal Federal). O morro que abrigava lendas sobre tesouros escondidos por jesuítas, virou um estorvo social para a classe política e rica daquele tempo. Moradias populares, saneamento precário, doenças e a alegação de que o morro dificultava a circulação dos ventos e escoamento das águas fez com que em 1920, o prefeito Carlos Sampaio colocasse abaixo o Castelo. A destruição começou com escavadeiras e terminou a golpes de jatos d’água.  Foram demolidos 460 imóveis e removidos quase 5 mil moradores das vilas, casarões e cortiços”, relembra o arquiteto doutor em Arte e Cultura Contemporânea em UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestre em Artes Visuais pela instituição de ensino Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e artista multimídia, Ismael Monticelli, autor da obra multimídia “UM MEMORIAL PARA UM APAGAMENTO”.

O projeto “UM MEMORIAL PARA UM APAGAMENTO” do artista visual e pesquisador, nascido em Cachoeirinha – Rio Grande do Sul, foi um dos dez selecionados num universo de 378 empresas brasileiras de produção cultural que se inscreveram na seleção do ArtSonica – Residência Artística, realizada pela Zucca Produções em parceria com Oi Futuro e Ministério da Cultura, que contemplou os escolhidos com uma bolsa de criação com valor entre R$ 20 mil e R$ 40 mil para tirar o projeto do papel e transportá-lo para realidade virtual. A obra multimídia final ficará exposta a partir do segundo semestre deste ano no Centro Cultural Oi Futuro, no Flamengo, junto com outras dez criações que integram o Artsonica Residência Artística.

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