Felipe S, vocalista do Mombojó, abre a cabeça e fala sobre música e outras coisinhas

Ele não tem Spotify, mas adora o YouTube. Na nova onda Netflix ele assiste Mad men, House of Cards e The Hunt. Prático, carrega na mochila “o mínimo do mínimo, de roupas e de coisas” e sonha em viajar sem levar nada. “Odeio acumular coisas ou andar carregando muitos equipamentos”. E no carro não é o tipo de pessoa que ouve sempre a mesma coisa, mas sim, aquele que curte ouvir coisas que eu conheço. Assim é a cabeça de Felipe Souza de Albuquerque, ou como ele é conhecido, Felipe S., pernambucano, cantor e compositor da banda Mombojó. O artista independente lança no Rio de Janeiro seu primeiro disco solo, “Cabeça de Felipe”, com show nesta quarta (02) e quinta (03), às 20h, no Centro da Música Carioca Artur da Távola, durante o Festival Levada, evento de música autoral e independente.

“Cabeça de Felipe”, o nome do álbum, tem sua origem na obra do artista plástico pernambucano Maurício Silva, pai de Felipe. “Eu sempre tive vontade de usar um trabalho do meu pai como capa de algum projeto meu e aí nesse processo de pensar o nome para o disco eu lembrei que em algum desses quadros tinha a minha mão impressa, de quando eu era bem pequeno. Fui atrás do quadro e quando olhei fez todo sentido. O nome do quadro virou o nome do disco e a obra virou a capa”, diz Felipe.

Nesta entrevista o cantor fala sobre sua vida, música e novo disco.

O que tem na cabeça do Felipe que ainda está apenas no plano imaginário? Um plano imaginário que vai se concretizar muito em breve no próprio Levada é fazer o show com cenário, figurino e iluminação. Até agora já fiz 17 shows no esquema chegar, ligar os equipamentos e tocar. Agora vamos dar um passo adiante.

O que você assiste no Netflix? Mad men (finalizei). House Of Cards. The Hunt.

Quem você segue no Spotify? Não tenho Spotify, só uso YouTube.

O que não falta na mochila do Felipe? Eu levo o mínimo do mínimo, de roupas e de coisas. Meu sonho é viajar sem nada. Odeio acumular coisas ou andar carregando muitos equipamentos.

No carro sempre ouve… Eu não gosto de repetir as coisas que ouço. Adoro ouvir coisas que eu não conheço.

Como é a sua relação com a internet? Para a minha carreira solo não me baseio nos números de likes ou coisas do tipo. Acho legal porque meu trabalho está acontecendo no boca a boca. Tenho como base na ideia que show gera show e de tentar chamar as pessoas via mensagem direta para os eventos.

Você gosta de fazer compras online? Sim. Eu compro muito pela internet. Fazer compras em lojas físicas sai muito mais caro.

Já se arriscou nas artes plásticas? Nunca! Deixei isso com o meu pai.

Qual é a sua relação com o Rio de Janeiro? O Rio é uma cidade que adoro. Tenho amigos na cidade que são incríveis músicos (Domenico Lancelloti, Alberto Continentino, Kassin, Tibério Azul, Diogo Guedes, Bruno Giorgi e vários outros). É um lugar onde sempre vou buscar colaboração de amigos pro meu trabalho. A Tijuca é o local onde sempre fico hospedado quando não estou em hotel. E será a primeira vez que eu farei um show no bairro e será uma grande honra.

Você saiu das cores do Recife para o ambiente acinzentado de São Paulo. Sente falta do mar? O que faz bater forte a saudade de casa? Sinto muita falta das cores do Recife, mas prefiro estar trabalhando e saudoso do que sem trabalho na praia. Mas o mar é a principal coisa que faz falta, a água quentinha do Nordeste… Porque da água fria eu passo longe!

Conte-me algo que seus fãs não sabem (ainda…). Às vezes eu acho que as pessoas pensam que aprendi a tocar cedo, mas não. Só aprendi com 16 a tocar violão, mas fui muito cedo começar a compor. Algumas músicas do nada de novo eu fiz com 18 anos. Mas antes de tocar já queria trabalhar com produção. E participava da organização dos eventos de música da minha escola.

Quadro “Cabeça de Felipe’

Você tem o quadro que seu pai pintou em sua casa? A capa do disco é uma gravura. Tem 12 cópias. Minha mãe tem duas, uma ela me deu e as outras 10 estão por aí, pelo mundão, mas não sei onde. Eu sempre vejo os olhos assimétricos que tem na gravura e acho muito parecidos com os meus. E quando olho para a gravura acho que as várias loucuras que vieram da cabeça do meu pai, devem ter passado para a minha cabeça. Me identifico.

Você já participou de muitos projetos musicais. O que aprendeu nesta caminhada lidando com pessoas de diferentes ‘cabeças’? É sempre muito enriquecedor tocar com novas pessoas. Comecei a tocar com Vitor Araújo e Ayrton Montarroys recentemente. Ambos têm um repertório bem complexo e isso me fez evoluir muito como músico. Espero manter esse pique e ainda tocar com muitos outros artistas.

Como você avalia o mercado musical atual para músicos independentes? Estamos numa fase com fartura de bons trabalhos. Acho que mesmo estando cada vez mais difícil, eu vejo um cenário que vai deixar um grande legado.

Crise política, econômica, social e moral. Infelizmente caminhamos por um período turbulento. Seria necessário um vendaval que destruísse tudo e começasse de novo? Eu pensava muito pela visão do índio que hoje em dia não tem direito nem de viver mais. Estão sendo exterminados. Mas acho que naturalmente agora é um momento da esquerda se renovar e fortalecer. Estou sentindo que não vai ser em 2018, mas acho que tanta opressão vai gerar uma resposta forte.

Já deram muitos pitacos na sua vida sem quererem saber sua opinião, como você canta em seu sambinha Santo Forte? Ter seguido o norte que guiava seu coração deu certo? Com certeza. Como dizia minha vó: “eu me faço de doido e sigo em frente” quando tem alguém com opiniões muito distantes do que eu penso, mas procuro ouvir todos que querem contribuir com meu trabalho. Tudo que eu faço é muito intuitivo, estou sempre seguindo esse norte e quem me guia é o coração.


Sobre o disco “Cabeça de Felipe”

O disco traz dez músicas, sendo nove inéditas e uma regravação da música “Vão” (Juliano Holanda), todas gravadas no apartamento de Felipe e produzidas pelo próprio músico, que escolheu caminhar por diversos gêneros musicais. Desde a lambada lenta de “Departamento do Amor” (Felipe, Tibério Azul, Rodrigo Samico e Vitor Araújo) e o samba de “Santo Forte” (Felipe, Samico e China) até o reggae nyahbinghi de “Calçada Proibida” (Felipe e Tibério) e o afoxé de “Anedota Yanomami” (Felipe), canção que abre o disco, com participação de Sofia Freire. Não faltam também parcerias com amigos externos ao meio musical, como nas letras de “Nova Bandeira”, composta com o artista plástico Cristiano Lenhardt, em “Tigre Palhaço”, parceria com a atriz Juliana Didone, e em “Trovador” toada escrita com Ana Maria Maia, mulher de Felipe.

Felipe apresenta todas as músicas do álbum, além de fazer duas releituras de músicas de compositores que influenciaram a composição do disco de alguma forma, como na música “Solto”, composição de Marcelo Cabral e Romulo Fróes, interpretada por Elza Soares. Existem dois formatos possíveis de shows, sendo um com banda completa, composta por Felipe S (vocal), Habacuque Lima (guitarra e samples), Rafael Cunha (bateria), Missionário José (baixo) e Ana Sartori (backing vocal e teclado).

“Esse trabalho soa como algo que combina com a ideia de ser ouvido ao dirigir pela estrada”, acrescenta Felipe S. O disco foi lançado pelo selo Joia Moderna, que já disponibilizou trabalhos de Mãeana, Alice Caymmi, Iara Rennó, Arthur Nogueira e Letrux.

O Festival Levada vai até 7 de setembro. Em sua sexta edição e tem como missão difundir a música autoral e independente, fazendo circular o que há de mais novo na cena do país trazendo ao Rio de Janeiro artistas de várias regiões do Brasil para se apresentarem em Ipanema (Casa de Cultura Laura Alvim) e também na Tijuca (Centro da Música Carioca Artur da Távola). Os shows acontecem as quartas e quintas-feiras, sempre às 20h, e ingressos a preços populares: R$ 20 e meia a R$ 10. O evento tem produção e direção geral de Júlio Zucca, curadoria de Jorge Lz e patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro, da Secretaria Municipal de Cultura e da Oi – por meio da Lei de Municipal de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro – Lei do ISS. 

 


SERVIÇO

FESTIVAL LEVADA apresenta FELIPE S (PE)

LANÇAMENTO DO CD – “Cabeça de Felipe”

DIAS 02 e 03 de Agosto | QUA e QUI | 20h
Centro da Música Carioca Artur da Távola
Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca, Rio de Janeiro – RJ
Telefone: (21) 3238-3831
INGRESSOS*: R$20,00 | R$10,00
*Os ingressos estarão à venda somente no dia de cada show.
A bilheteria abre 17:30. Limite de ingressos por pessoa: 2.
Lotação: 159 lugares
Como chegar: http://bit.ly/Maps2sg5Se5
Dica: Metrô Estação Uruguai
(cerca de 8 minutos a pé da estação ao local)

 

 

 

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