Felipe Moura e a socialização musicada da Violúdico

Felipe Moura, idealizador da Violúdico, se uniu a parceiros do segmento de festas infantis e, desde então, leva música, fotografia e entretenimento a bebês em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. Do “Luau Lúdico Baby”, nasceu a oportunidade de recolher alimentos para o Abrigo Cristo Redentor e, com isso, um salto pela socialização e resgate da autoestima dos idosos abrigado no asilo por meio da fotografia aliada a musicalização. Uma oportunidade de conhecê-los acontecerá nos dias 28 de maio e 04 de junho, o grupo estará no Casa & Gourmet Shopping (Rua Gen. Severiano, 97 – Botafogo), dentro do Espaço Kids, das 11h às 12h30. O projeto “‎Casinha & Gourmet” é um espaço para as crianças brincarem com seus pais e aos finais de semana contará com atividades recreativas. A entrada é franca.

Valor Atemporal – O que é a Violúdico?

Felipe Moura – É um programa de musicalização com desenvolvimento sensório-artístico, cujo principal objetivo é despertar e desenvolver o gosto pela música, estimulando e contribuindo com a formação da criança de uma forma geral. Todo ele é articulado através de atividades lúdicas, visando o desenvolvimento e aperfeiçoamento da percepção auditiva, imaginação, coordenação motora, memorização, socialização, expressividade e percepção espacial.

Os "violúdicos" Felipe Moura e Filipe Fernandes (Foto Divulgação/Violúdico)
Os “violúdicos” Felipe Moura e Filipe Fernandes (Foto Divulgação/Violúdico)

Como surgiu?

Naturalmente. Fiz teatro, tocava em grupos infantis, grupos musicais e trabalho com criança desde moleque. Minha mãe é musicista e estudo música desde cedo. Estudei no Conservatório de Música Pixinguinha. A ideia do Violúdico foi mesmo a concretização de um sonho, um dom, juntando a habilidade de teatro e de música.

Qual é a importância da construção do conhecimento musical?

A música é importante na vida de qualquer um. O estímulo musical desde a barriga da mãe é considerada uma das nossas inteligências, tem um valor cognitivo muito grande. A música vem estimular esse dom na criança, estimula os sentidos. Nosso trabalho pra criança é lúdico, ela aprende muito nessa fase de descobertas, mas para os idosos, pelas restrições que eles vão tendo, a música estimula também. Não dizem que o idoso vira criança novamente?  

Lua Baby
Luau Baby promovido pelo Violúdico (Foto: Divulgação)

A Violúdico tem projetos de música para bebês. Por que agora a escolha de trabalhar também com grupos de terceira idade?

Tenho vontade de prosseguir com essa proposta de trabalhar para a terceira idade futuramente. A ideia começou despretensiosamente porque o abrigo Cristo Redentor é um local que quando eu era criança eu visitava em função de um coral do Colégio São Gonçalo, do qual eu fazia parte e periodicamente levava música até lá. Já na adolescência eu costumava ir lá conversar com os idosos e adorava essa troca de experiências, por isso tive a vontade de voltar. Os idosos são mais desamparados, precisam de atenção, bem ou mal as crianças já tem alguém cantando, brincando com elas.   

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E como foi esse processo de fotografá-los neste ensaio?

Fizemos uma super produção com hair stylist, camarim fashion, música e brincadeiras. Os moradores do abrigo puderam fazer penteados, maquiagem, unhas e estilização com acessórios. Nosso maior objetivo foi levar alegria para eles resgatando a autoestima. Teve filmagem profissional com direito a making off. Todo processo foi acompanhado de muita música e brincadeiras. Tocamos com a Violúdico canções que passeavam pelo samba, bolero, bossa nova e cantigas de rodas infantis. Na oficina de confeitaria teve degustação de cupcakes. Agora vamos voltar ao abrigo com as fotos reveladas e vídeo editado para uma exposição com música ao vivo  e entrega de novas doações da segunda edição do Luau Lúdico Baby. . Cristo Redentor-86

Qual foi a reação dos idosos?

Ah, eles gostam. Algumas senhoras até se emocionaram. Outros acharam engraçado e toparam. As reações foram das mais diversas.  Perguntamos quem queria participar, quem queria ser fotografado, fazer cabelo, maquiagem, unhas. Aí eles foram se candidatando. As fotos da visita passada foram com uma fotógrafa profissional, a Letícia Maia, parceira nessa ação. Os idosos ficaram muito empolgados. Foi muito legal.  

Cristo Redentor-22 Quais experiências vocês interiorizaram nesse projeto com a terceira idade?

No começo foi um pouco chocante, mas agora a gente leva diversão pra eles. É uma gratidão de poder levar alegria pra quem precisa de atenção e carinho. É muito diferente da hora em que a gente chega para a hora em que a gente os deixa. Não dá nem vontade de ir embora. O semblante muda de tanta alegria no rosto deles. É gratificante demais! Mas a maior experiência a gente vive diariamente. Não tem coisa melhor que chegar numa creche ou nas turminhas particulares e ver as crianças gritando em coro o nome da Violúdico, correndo para dar abraço coletivo. Isso é gratificante demais. É emocionante. A gente se sente os Beatles. (risos) Cristo Redentor-92

E nessas andanças com o Violúdico alguma situação que marcou o grupo?

Foram tantos momentos lindos! Posso dizer que agora são as pessoas que estão começando a nos seguir pelos eventos que fazemos. Estamos com fãs! Isso é muito legal! Uma mãe, que é médica, que soube de uma turma nossa que estava com poucos alunos e corria risco ser encerrada. Ela tomou a iniciativa de panfletar voluntariamente em escolas e na rua para que novos alunos surgissem. Um gesto generoso e uma atitude que nos impressionou bastante. 

Na sua opinião, o que significa ajudar pessoas?

Pra mim ajudar uma pessoa é fazer ela conseguir enxergar dentro de si, ver o que ela falta pra ela evoluir, buscar a felicidade de uma forma bem simplória. O mundo infantil hoje é muito diferente do que era na minha infância. Hoje o mundo está muito consumista. O que a gente leva para as crianças são materiais do cotidiano, simples pra poder focar na imaginação, no lúdico.

 

 

 

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