Escultura mostra corpo humano capaz de sobreviver a acidentes de carro

O crânio lembra um capacete e foi projetado para absorver o impacto sem prejudicar o cérebro.

Seria possível o homem se adaptar tanto ao ambiente que se tornaria capaz de sobreviver a acidentes de carro? Como seria o corpo deste humano? A artista plástica australiana Patricia Piccinini, conhecida por suas esculturas hiper-realistas (muitas delas perturbadoras) de criaturas híbridas, se uniu um cirurgião de trauma e um investigador de acidentes de carro e criou “Graham”, um gigante cuja cabeça enorme e sem pescoço unida a outras características bizarras deram origem a um homem evoluído para aguentar o impacto proveniente de uma colisões de automóveis. Esta é a mais recente iniciativa da Comissão de Acidentes de Transporte de Victoria (TAC), na Austrália, destinado a sensibilizar e promover a segurança rodoviária.

O crânio lembra um capacete e foi projetado para absorver o impacto sem prejudicar o cérebro.
O crânio lembra um capacete e foi projetado para absorver o impacto sem prejudicar o cérebro.

“As pessoas podem sobreviver a colisões contra a parede, mas quando estamos falando de colisões envolvendo veículos, as velocidades são mais altas, as forças são maiores, e as chances de sobrevivência são muito menores.”, disse o CEO da TAC, Joe Calafiore, em comunicado sobre a obra.

Christian Kenfield, cirurgião do Royal Melbourne Hospital e o investigador de acidentes David Logan, do Monash University Centro de Investigação de Acidentes, trabalharam com Patricia Piccinini para projetar Graham, que poderá ser visto na Biblioteca Estadual de Victoria (Austrália) a partir de 8 de agosto, antes de embarcar em turnê.

“A parte mais significativa para o corpo em lesão é a cabeça. E assim como a cabeça para, o cérebro realmente continua se movendo para a frente, esmagando-se contra a parte frontal do crânio, e depois volta para trás obtendo uma lesão na parte de trás da cabeça também. … O homem mais forte sem pescoço não teria esse movimento. Os carros evoluíram muito mais rápido que os humanos, e Graham nos mostra como somos frágeis. Por isso, precisamos melhorar todos aspectos do trânsito para nos proteger de nossos próprios erros”, explica Kenfield.

Patrícia Piccinini é veterana em exposições internacionais como a Bienal de Veneza 2003, onde representou a Austrália. Seu trabalho é realizado em coleções públicas, como o Museu de Arte Contemporânea de Sydney e da Galeria Nacional da Austrália, em Canberra. Ela teve exposições individuais em locais o Brasil, no CCBB-Rio e São Paulo com obras da mostra ComCiência, além de locais como Haunch of Venison, em Lobdres;  Robert Miller Gallery e Yvon Lambert, ambas em Nova Iorque. Suas obras são feitas a partir de silicone, fibra de vidro, cabelo humano e outros materiais capazes de conferir realidade as peças surreais.

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