Brasil recebe pela primeira vezmostra individual de Martin Kippenberger

Obras do artista alemão Martin Kippenberger poderão ser vistas pela primeira vez no Brasil em uma mostra individual que traz ao público duas coleções completas com 171 posters e 180 convites de exposição. Multifacetado e reconhecido por sua singularidade sarcástica, Martin Kippenberger é um dos nomes mais importantes da arte contemporânea internacional. “Buying is fun, paying hurts” traz pinturas, desenhos, e tem como foco principal a grande produção de cartazes feitos pelo artista. As peças poderão ser vistas de 12 de agosto a 30 de setembro, na Galeria Bergamin & Gomide, em São Paulo.

Martin Kippenberger sempre foi ativo na cena artística alemã. Em Berlim, nos idos de 1978, criou o Kippenberger Büro (Escritório Kippenberger), tornou-se sócio do SO36, legendário clube punk da capital. Teve uma banda, bebeu, pintou, trocou telas por comida, fez esculturas, performances e todos os convites e cartazes de suas mostras. Diz a lenda que Kippenberger decidiu ir embora após levar uma surra de um grupo. Mas, Wolfgang Müller conta em seu livro sobre a vida cultural da cidade entre 1979 e 1989, que foi uma mulher quem lhe destroçou o rosto, em briga por causa do aumento de preços do SO36. E a vida virou arte: Kippenberger fotografou a cabeça enfaixada e intitulou de “Diálogo com a juventude”. Depois, viajou por Europa, Estados Unidos e Brasil, onde comprou um posto de gasolina em Salvador e batizou-o de Martin Bormann — oficial nazista, secretário de Hitler. A viagem de três meses ele chamou de “Magical misery tour” (“Tour mágico pela miséria”), um trocadilho com o “Magical mistery tour”, dos Beatles. Sua arte contempla mais de 300 obras que ficaram eternizadas quando sua produção parou em 1997com sua morte, aos 44 anos, de cirrose.

Dono de uma natureza subversiva, Martin Kippenberger homenageia/debocha de Picasso ao Expressionismo Abstrato, passando pela Pop Art e Realismo Socialista. Para Antonia Bergamin, sócia da Galeria Bergamin & Gomide, expor os trabalhos de Kippenberger é introduzir ao público brasileiro um dos maiores artistas da década de 1980 e 1990, ainda pouco conhecido por muitos brasileiros.

“Um artista plural, que nunca teve apreço a regras e que acabou produzindo um dos mais interessantes e surpreendentes conjuntos de obras já visto na história. Kippenberger nos fascina não só por sua obra, mas também por sua história de vida. Uma vida potente, sem tempo para pensar duas vezes, onde a única opção era seguir em frente, quebrando paradigmas e criando para si mesmo um sistema sem precedentes. Impetuoso e controverso, deixou opiniões divergentes sobre sua trajetória. Hoje, 30 anos depois de sua morte, uma coisa é incontestável: nunca houve e provavelmente nunca haverá outro artista como ele”, diz Antonia Bergamin.

Notoriedade na Arte

Outra parte da produção artística de Kippenberger, reunida no Brasil pela primeira vez, poderá ser vista durante a Semana de Arte que acontecerá entre os dias 17 e 20 de agosto no Hotel Unique, em São Paulo. Idealizada por Thiago Gomide, à frente da Galeria Bergamin & Gomide, em parceria com Luisa Strina, Emilio Kalil e Ricardo Sardenberg, a Semana de Arte registra sua primeira edição. No stand 17 a galeria terá o prazer de apresentar um projeto individual do artista: trata-se de um grupo de desenhos feitos em papelaria de hotéis de todo o mundo, colecionado por Kippenberger ao longo de duas décadas e considerado um de seus trabalhos mais prestigiados. Thiago Gomide pontua que “já estava nos planos fazer uma grande exposição do Kippenberger em São Paulo. Portanto, fazer durante a Semana de Arte foi genial já que a Semana ocorre em um Hotel e o grupo de trabalhos que apresentaremos lá pertence à importante série ‘Hotel Stationary’.”

A notoriedade que Kippenberger tanto queria é póstuma, “Paris Bar”, tela que comprou por mil marcos em 1992 de um pintor de cartazes de cinema e assinou, foi leiloada em 2009 por £ 2,28 milhões (cerca de R$ 7,13 milhões naquela época) pela Christie’s. Em 2012, novo recorde: uma tela sem título de 1992 foi comprada na mesma casa de leilões por 3,18 milhões de libras por Friedrich Christian Flick, cuja coleção tem comodato com o Hamburger Bahnhof até 2021. A obra está exposta em Berlim e representa o sonho do artista que desejava quase R$ 10 milhões pelo seu autorretrato desfigurado, com a barriga de cerveja exagerada, as mãos em posição de luta e olhar distante à procura de alguma coisa.

Na Bergamin & Gomide as obras variam de US$ 10 mil a US$ 100 mil.


Serviço:

Martin Kippenberger na Galeria Bergamin & Gomide. Abertura: 12 de agosto (sábado). Horário: 10h às 17h. Visitação: de 14/8 a 30/9. Horários: de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, sábados das 10h às 15h. Endereço: Rua Oscar Freire, nº 379, loja 1- térreo. Telefones: (11) 3853-5800. Site: bergamingomide.com.br. Entrada franca

 

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