Artur Moreira e sua arte de ajudar ao próximo

Artur Moreira e seu design filantrópico (1)Quando um terremoto sacudiu o Nepal deixando um rastro de 8.500 mortes, o designer brasileiro Artur Moreira lançou uma campanha beneficente online para ajudar as vítimas sobreviventes que perderam suas casas e conseguiu arrecadar mais de dez mil dólares. Nascido no Paraná, ele mora nos Estado Unidos há 20 anos. Prestes a completar 40 anos, entre a criação de uma obra de arte e paisagismo ele encontra tempo para ser altruísta. Quando aconteceu o desastre ambiental em Mariana, Minas Gerais, ele desenvolveu brasões de vários times e os vendeu nas ruas para ajudar financeiramente as vítimas. Também recolheu doações de água mineral e mandou para as famílias desabrigadas. Conhecido por seu envolvimento em obras de filantropia, o designer de móveis teve participação ativa quando do terremoto devastador do Haiti e em campanhas para financiamento da cura para o câncer de mama. Sempre que requisitado, doa obras de sua criação para leilões de angariação de fundo para diferentes causas nobres.


Artur Moreira e seu design filantrópico (2)Valor Atemporal – Você arrecadou US$ 10 mil para a construção de casas para famílias atingidas pelo terremoto no Nepal com a campanha online “Let’s help Nepal!”  (Vamos ajudar o Nepal!). Como você utilizou o dinheiro arrecadado?

Arthur Moreira – Let’s Help Nepal” foi só mais uma ferramenta que usei para arrecadar o dinheiro.A maior parte do valor veio do lucro de venda de camisas, de jantares entre amigos e parceiros de negócios e ainda de doações.

(Valores em dólares) || Internet $1514 || Venda de Camisas $4300 || Doações $1500 || Jantar beneficente $4000 || O total arrecadado foi $11300 

Artur Moreira e seu design filantrópico (7)Você chegou a ir ao Nepal naquela ocasião? Qual foi o seu sentimento em relação às pessoas daquele país? 

Fui ao Nepal em setembro de 2015. Foi uma experiência única. Lá pude sentir de perto o verdadeiro valor do ser humano e da vida. 

– Você é designer, essas casas tem algum diferencial sustentável em relação àsantigas casas dos moradores da região?

Sou designer e artista. As casas construídas lá são conhecidas como “Shelters Home”, que em português significa casa abrigo. O modelo foi desenvolvido por um alemão durante o tsunami que aconteceu em dezembro de 2004, nas Filipinas, e a ideia foi adaptada para o Nepal. As casas variam de tamanho. Dependendo do uso, o modelo é utilizado como residência para famílias ou como escolas. A média do tamanho é de 4.80 metros por 9.50 metros e a estrutura é feita de barras de metal divididas em seis partes, para facilitar o transporte. Quando a casa chega ao local,começa com a montagem, o nivelamento e a fixação no chão. Em seguida é a vez das telhas de zinco que ficam em volta da estrutura e finalmente é colocado o bloco de cimento. Muitas moradias são feitas nas montanhas com pedras, uma em cima da outra, um dos motivos de diversas mortes e desabamentos durante os desastres naturais. 

Artur Moreira e seu design filantrópico (5)Já foram erguidas 54 casas. A proposta é chegar em 100. Como você vai conseguir isso? O valor arrecadado é suficiente?

Quando abracei o projeto “Meninas do Nepal”, a ONG já tinha oito estruturas prontas para entregar. Foi então quere passei o valor ao pessoal e aproveitei para também contribuir com a minha experiência profissional, ajudando na compra do material. No período em que estive lá, participei desde a fabricação – da estrutura até a instalação das moradias. Quando saí, no final de setembrotínhamos 25 casas pagas e 16 entreguesEm março, esse número mais que duplicou. Agora, são 54 casas prontas. O objetivo até o fim do ano é chegar a cem casas construídas. Isso deve beneficiar cerca de 300 famílias.

 

Você criou brasões de times, vendeu e fez rifa entre amigos e no e usou o dinheiro para ajudar as vítimas do desmoronamento da barragem em Mariana. Como é a sua relação com os moradores de lá?

Quando voltei do Nepal, criei uma coleção com brasões de times de futebol do mundo todo. A primeira proposta era arrecadar mais dinheiro para o Nepal. Foi então que aconteceu o desastre em Mariana, no estado onde nasci. Não hesitei. Decidi direcionar o dinheiro das rifas dos brasões esculpidos a mão por mim para lá. E mais uma vez criei algo: uma camisa para ser vendida e ajudar as vítimas.Até agora, já arrecadei em torno de quatro mil dólares entre camisas e rifas com o brasão do Corinthians que fiz em homenagem ao título do campeonato brasileiro de 2015.

Depois da rifa com o brasão do Corinthians, resolvi fazer a coleção “Times do meu coração”. Pretendo montar uma exposição para arrecadar mais fundos e investir no Nepal, nas vítimas do desastre em Minas Gerais e em outros mais que, eventualmente, possam surgir. Acredito que devo terminar toda a coleção até julho. Sobre a tragédia de Mariana, usei parte do dinheiro para comprar água mineral para a população. O que ainda sobrou, vou investir no projeto “Terceira Arte na Praça”, do qual sou apoiador .Será realizado no dia 21 de agosto e vai contar com artistas locais e uma intensa programação cultural.

Artur Moreira e seu design filantrópico (3)Fale um pouco sobre a construção da praça no interior de Minas e como isso mudou a vida dos moradores da região.

Sou muito observador e inquieto. Quando visitava os meus pais, via o espaço abandonado e sentia a população da região triste e amedrontada com os usuários de drogas que frequentavam o local. Senti a necessidade de ajudar de alguma maneira. Falei com a minha mãe: “se depender de mim, vou mudar a história desses moradores”. E comecei a trabalhar. Primeiro plantando árvores, flores e grama. Em seguida foi a vez de consertar e pintar a passarela que cruza a BR-381, ligando a cidade de Nova Era ao bairro Colina. Tudo isso com meus próprios recursos. Fiz obras de arte, usando pneus de carro, de caminhão, rodas de bicicleta, sempre com a preocupação de utilizar material reciclado.Em 60 degraus da escadaria,escrevi em grafite, oito frases de artistas consagrados nacionalmente e internacionalmente, como Luís Fernando Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade, Lady Gaga e Harrison Ford. O próximo passo será lançar um concurso,entre os colégios da região,para escolher as melhores frases dos alunos. Os vencedores passarão a fazer parte da história da cidade, preenchendo os 48 degraus que ainda estão em branco. A ideia é transformar o local, nos próximos anos, em um Parque de Esculturas.

Artur Moreira e seu design filantrópico (8)Você costuma estar envolvimento em obras de filantropia. Também já criou campanhas para financiamento da cura para o câncer de mama. Fale-me como essas experiências influenciaram a sua vida.

Se posso usar a minha arte e a minha influência para ajudar, para espalhar uma boa ideia, porque não fazer? Se cada um fizer a sua parte, vamos melhorar o que está em nossa volta e no mundo. 

Sua criatividade vem sendo utilizada em prol dos mais necessitados quando você utiliza as suas obras para leilões de angariação de fundo para causas nobres. Qual foi o principal retorno que teve com suas atitudes?

Gratidão. É o melhor remédio.

Artur Moreira e seu design filantrópico (4)O que, em sua opinião, é preciso para ajudar pessoas?

É preciso amor e vontade. Eu adoro fazer o sonho das pessoas acontecer.

 

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