Museu da Justiça relembra crimes que mobilizaram a sociedade carioca

Tribunal do Juri. Museu da Justiça. Foto/Brunno Dantas

 

O Museu da Justiça sedia a partir desta terça-feira, dia 12, a exposição “Dez crimes que chocaram o Rio de Janeiro”, inspirada em uma série produzida pela repórter de ‘O Globo’ Maria Elisa Alves. A mostra fica em cartaz até o dia 21 de maio. Entre os casos em destaque estão o sequestro do menino Carlinhos (agosto de 1973), a chacina de Vigário Geral (agosto de 1993) e as mortes de Daniella Perez (dezembro de 1992), Aída Curi (julho de 1958), Mônica Granuzzo (junho de 1985) e Cláudia Lessin Rodrigues (julho de 1977).

Tribunal do Juri. Museu da Justiça. Foto/Brunno Dantas
Tribunal do Juri. Museu da Justiça. Foto/Brunno Dantas

No mesmo dia, às 18h, um debate reúne a jornalista, que vai falar sobre os bastidores das reportagens, o diretor do Arquivo do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Marcio Ronaldo Teixeira, e o diretor do Museu da Justiça, Marco Antônio Sampaio. O encontro será no Antigo Tribunal do Júri.

“Isso traz um forte simbolismo. Muitos dos casos da série foram julgados lá, e o público de agora vai ter a experiência de estar onde as pessoas que participaram dos julgamentos estiveram”, avaliou Mauro Ventura, diretor-geral de Comunicação e de Difusão do Conhecimento (DGCOM).

Mauro destacou a oportunidade oferecida pelo evento para aproximar ainda mais o Poder Judiciário da sociedade. De acordo com ele, é uma forma de resgatar uma parte da história do estado do Rio e de se ter uma perspectiva histórica, permitindo reflexões e análises sobre as transformações pelas quais passou a Justiça. É o caso, por exemplo, do assassinato da socialite Ângela Diniz pelo namorado, Doca Street, em dezembro de 1976. À época, prevaleceu a tese de legítima defesa da honra.

“Temos um Arquivo que é referência no país. Queremos que o público conheça o trabalho exemplar de guarda e preservação dos processos históricos feito pelo Arquivo e pelo Museu da Justiça. E que também descubra como ter acesso a esses processos”, destacou ainda o diretor, que acredita que o evento interessa não só a estudantes e profissionais das áreas de Comunicação, Direito, História, Museologia e Arquivologia como também à população em geral.

Relembre os casos

(Fonte – O Globo e Wikipedia) 

sequestro do menino CarlinhosSequestro do menino Carlinhos – Carlos Ramires da Costa foi sequestrado em 02 agosto de 1973, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro, quando o menino tinha dez anos. O menino foi sequestrado em sua residência, invadida por um criminoso que deixou um bilhete, no qual marcou data e local de pagamento do resgate. Com a publicação do bilhete pelo jornal O Globo e grande repercussão subsequente, os sequestradores não compareceram ao local combinado, e Carlinhos jamais foi encontrado.

 

Chacina de Vigário Geral – Massacre ocorrido na favela de Vigário Geral, localizada na zona norte, do Rio, na madrugada do dia 29 de agosto de 1993. Um grupo de extermínio formado por cerca de 36 homens encapuzados e armados, arrombaram casas e executaram 21 moradores.

daniella perezCaso Daniella Perez – A morte da atriz foi um caso policial notório no século XX. Ocorrido em 28 de dezembro de 1992, recebeu ampla cobertura da imprensa e causou comoção popular. Daniella, que à época fazia a telenovela global “De Corpo e Alma”, com a personagem Yasmin. Ela foi assassinada por Guilherme de Pádua, que fazia par romântico com a vítima na trama, e por Paula Thomaz, esposa de Guilherme. O corpo da atriz foi encontrado numa região de floresta na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com 18 golpes de punhal, que causaram sua morte. Os dois assassinos foram condenados por júri popular e libertados em 1999.

Cao-Aída-Curi-1Caso Aída Curi – Refere-se à morte de Aída Jacob Curi, de 18 anos, ocorrido em dia 14 de julho de 1958 no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro. Aída foi levada à força por Ronaldo Castro e Cássio Murilo ao topo do Edifício Rio Nobre, na Avenida Atlântica, onde os dois rapazes, foram ajudados pelo porteiro Antônio Sousa, a abusar sexualmente da jovem. De acordo com a perícia ela foi submetida a pelo menos trinta minutos de tortura e luta intensa contra os três agressores, até vir a desmaiar. Para encobrir o crime os agressores atiraram a jovem do terraço no décimo segundo andar do prédio tentando simular um suicídio. Aída faleceu em função da queda.

monica-granuzzoCaso Mônica Granuzzo – Ocorrido em 15 de junho de 1985, causou repercussões no comportamento social e até hoje é lembrada em reportagens e também retratada na canção “Mônica”, da compositora Ângela Rô Rô. Em 1985, após sair com um rapaz que frequentava uma boite, a jovem despencou do sétimo andar de um prédio. O corpo da vítima foi encontrado em um barranco e enrolado em um cobertor. A perícia indicou que Mônica morreu ao cair da varanda do apartamento do rapaz, ao tentar fugir de uma tentativa de estupro.

claudia-lessin-rodriguesCaso Cláudia Lessin Rodrigues – Em julho de 1977, Cláudia Lessin Rodrigues, de 21 anos, foi assassinada na casa de Michel Frank, um milionário suíço-brasileiro supostamente envolvido com o tráfico de drogas. Acusado do crime, Michel fugiu para a Suíça, onde foi morto a tiros em 1989, sem nunca ter sido julgado. Em 1978, o nome de Claudia apareceu em um outdoor vencedor do primeiro Concurso Nacional de Outdoor, como parte de uma campanha antitóxico. A peça dizia “Cláudia Lessin Rodrigues – Que todos os pais dessa cidade jamais se esqueçam deste nome”. O crime gerou o filme “O Caso Cláudia”, dirigido por Miguel Borges, em 1979.

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