Crítica de filme: O Primeiro Mentiroso

Crítica filosófica.
Filme: O Primeiro Mentiroso (The Inventrion of Lying)

Colaboração de Marcio Garrit
Cinéfilo e Estudante de Filosofia e Psicanálise

Filme americano de 2009, dirigido por Matthew Robinson, escrito e estrelado por Ricky Gervais e Jennifer Garner.
Apesar de não ter feito grande público no Brasil, o filme faz um grande estrondo filosófico, ético, moral, psicológico e social.
Imagine um mundo sem mentiras, onde todos são impedidos de mentir. Não por algum imperativo categórico Kantiano ou pela aceitação “natural” dos ideais de Chernichévski, ou até por obrigação de um regime autárquico extremamente rígido. Não! Apenas porque nessa civilização, a mentira não existe! O cérebro não sabe o que é mentir! Por mais criativo que fosse a ideia da mentira seria algo inimaginável.
Você, por alguns segundos que seja, conseguiria imaginar como essa sociedade funcionaria?
Pois bem, o diretor, de forma magistral vai discorrendo ao longo do filme como provavelmente seriam os diálogos e obviamente as relações.
Confesso para os leitores que todo esse cenário me perturbou muito e ali percebi o quanto a mentira é algo fundamental para a sustentação da sociedade. Não que eu esteja fazendo apologia à mitomania ou ao cinismo. Longe disso, mas você acha que sendo sincero com seu chefe, com seu cônjuge, com o guarda no transito ou com o pedinte na rua 100% do tempo proporcionaria uma vida de paz? É mais importante acabar com uma relação ou com um grande projeto só por dizer a verdade? E se essa verdade pudesse te matar? (lembre-se: É um ou outro! Ficou mais difícil ne!)

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Há uma cena no filme que me chamou a atenção. Um amigo de trabalho, do protagonista, em profunda depressão afirma que quer ser matar, e em contra partida, seus colegas de oficio com toda a sinceridade que lhes é natural deixam claro que não ligariam. Tal afirmação, e outras muito piores, vão mostrando uma sociedade que não enxerga esses atos como desvirtuosos. Até porque essa sociedade não conhece aquilo que não pode cometer! É nesse momento que nosso protagonista, ao perceber que há a possibilidade de mentir, percebe como a sinceridade tem o cruel poder de deixar as coisas muito piores em termos de convivência e afetuosidade.
A persona de Jung nesse momento se mostrou como absurdamente necessária me incitando a pensar como seria o mundo sem o eu publico ideal e apenas com o eu real?
Você mente?
BOM FILME

Veja um trecho do filme aqui:

 

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