NOVAS RESTIÇÕES: “Abre e fecha” de espaços gastronômicos e centros de entretenimento causam risco de fechamento permanente no Rio

Bares, restaurantes, inclusive os dentro de Shoppings; eventos, festas e casas de eventos, rodas de samba; quiosques, ambulantes e barraqueiros nas praias; boates, casas de espetáculo, feiras de negócios, feiras de ambulantes e feira de artes e de artesanato voltaram a receber ordem de restrição de funcionamento por parte da Prefeitura e do Governo do Rio.

“Fica vedada a permanência em área e praças públicas das 23h às 5h. A circulação está permitida”, leu o governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), em coletiva a imprensa nesta sexta, dia 12 de março.

O decreto publicado traz novas alterações de funcionamento no Estado do Rio de Janeiro e seguem regras semelhantes às adotadas na capital fluminense, que padece com o aumento dos casos de COVID-19. Seguindo a linha de pensamento do prefeito Eduardo Paes, Castro disse que continua sendo “contra o lockdown enquanto não for necessário”.

A variação de regras pode ser uma geradora de transtornos entre frequentadores – que neste momento de terceira onda do coronavírus devem fazer o possível para manter o distaciamento social – e empresas. Bares e restaurantes, por exemplo, terão de fechar às 23h no Estado do Rio. No entando, na capital fluminense, o expediente do setor tem de ser encerrado às 21h e, até o ontem (11), só podia funcionar até as 17h.

As regras da Prefeitura do Rio estão prorrogadas até o dia 22 de março boa parte das medidas restritivas para tentar conter o avanço da Covid-19 no município.

Situação complicada na Cultura, Lazer e Gastronomia

Em março de 2020 o Rio de Janeiro registrou o primeiro caso de infecção pelo coronavírus. De lá para cá os números, que vinham caindo, voltaram a subir exponencialmente na cidade. Parte disso, segundo as autoridade de Saúde, deve-se ao fato de as pessoas voltarem a circular e se aglomerar em festas clandestinas, praias, bares e casas de eventos desrespeitando as medidas de distanciamento social e uso de máscaras.

Estabelecimentos devem restringir a capacidade atendimento presencial em novos horários

Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em todo o Brasil dão conta de que mais de dois milhões de pequenos empresários do setor de alimentação, que já haviam demitido muitos funcionários em 2020, voltam a ficar em uma situação financeira e empresarial ainda mais vulnerável.

O coronavírus pode ser fatal para bares e restaurantes porque o faturamento derrete, com quedas de 30% a 70% em algumas empresas. O ramo emprega cerca de 6 milhões de trabalhadores e o temor dos empresários é que, com as novas medidas de restrições no Rio, aumente não apenas o fechamento permanente dos estabelecimentos, como ocorra um nova enxurrada de demissões.

Paes explicou em coletiva que as medidas restritivas anteriores estavam duras demais e causando prejuízos aos empresários do setor de bares e restaurantes.

A capital Rio de Janeiro seguirá as seguintes regras:
🚷 Das 23h às 5h, fica proibida a permanência nas ruas, espaços públicos e praças (a multa por descumprimento é de R$ 562,42); a circulação está permitida, mantendo o “direito de ir e vir”.

🚷 Bares e restaurantes só poderão abrir das 6h às 21h, e com 40% de ocupação. Após esse horário, poderão atender com delivery, drive-thru e entrega rápida com retirada do produto no estabelecimento (take-away).

🚷 Está liberado o funcionamento de quiosques, ambulantes e barraqueiros nas praias até às 17h. A população pode tomar banho de mar, praticar exercícios e ficar na areia.

🚷 Eventos, festas e rodas de samba (públicos e particulares) também estão proibidos.

🚷 Boates, casas de espetáculo, feiras de negócios, feiras de ambulantes e feirinha de arte e de artesanatos também não podem funcionar.

Shoppings e lojas de rua

Presidente da Fecomércio, Anônio de Queiroz, também participou da coletiva e detalhou o plano de “escalonamento” para o comércio carioca. Segundo ele, haverá a separação entre o funcionameto dos shoppings e comércio de rua/serviços.

“Serviços e comércio de rua vão abrir das 8h30 até 17h30. O shopping será de 10h30 até 22h. Com isso, diluímos a ida para o trabalho e volta para casa”, afirmou Queiroz. Especificamente na capital, o comércio (incluindo shoppings) poderá funcionar das 10h30 às 21h

O novo decreto diz ainda que as repartições públicas podem atender das 9h às 19h; prestação de serviços, das 8h às 17h, mas com circulação de público limitada a 40%.

Podem funcionar normalmente

  • Escolas
  • Agências bancárias
  • Áreas de lazer
  • Atividades esportivas
  • Cadeia de abastecimento e logística
  • Cinemas
  • Consultas médicas
  • Farmácias
  • Hospitais
  • Hotéis, pousadas e albergues
  • Missas e cultos religiosos
  • Piscinas, quadras e áreas comuns em condomínios
  • Postos de combustíveis
  • Serviço de entrega em domicílio
  • Supermercados
  • Trabalhadores de atividades essenciais (indústrias, profissionais de saúde)
  • Transportes de passageiros
  • Veterinários

Fonte: Prefeitura do Rio

Número de casos de Covid-19 crescem no Rio de Janeiro

O número de solicitações de internações por Covid-19 aumentou na capital. Por esse motivo, a prefeitura decidiu adotar medidas mais duras. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, houve 787 solicitações entre 18 e 24 de fevereiro e 868 pedidos entre 25 de fevereiro e 3 de março.

Ainda segundo o painel Rio Covid-19, também da prefeitura, mostra que nas últimas 24 horas foram registrados 129 casos de Síndrome Respiratória Aguda — passando de 43.066 para 43.195. No total, a capital carioca tinha até ontem (04/03/2021) 208.071 casos confirmados e 18.002 mortes por Covid-19.

“Todas as medidas que anunciamos hoje têm um objetivo principal de evitar que se repita em 2021 o genocídio de 2020 na cidade do Rio de Janeiro”, disse o prefeito Eduardo Paes durante coletiva a imprensa na manhã de quinta-feira, dia 04.


RELEMBRE O QUE ACONTECEU EM MARÇO DE 2020

Rio de Janeiro

Na noite desta quinta-feira (19/03/2020), o então governador do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, decretou que bares, restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos gastronômicos similares deveriam restringir a capacidade de público para somente 30%. No entanto, a orientação é que fechem por pelo menos 15 dias, como medida de prevenção à pandemia de Coronavírus. Já os serviços de delivery e de retirada de alimentos para “viagem” continuam funcionando sem restrições. O Governo Estadual enfatizou que estas são as melhores opções para os clientes. Na capital, bairros como Botafogo e Ipanema (zona sul) e Lapa e Centro, passam por um significativo esvaziamento de seus bares, restaurantes, cafeterias e lanchonetes. Aquelas que ainda estão funcionando reforçaram a limpeza das mesas, reduziram o número de mesas, além de aumentar o espaço entre elas. Além disso, alguns empreendedores do setor reduziram as horas de funcionamento e os colaboradores estão trabalhando em regime de escala.

Espírito Santo

Restaurantes e lanchonetes só poderão funcionar até as 16 horas

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande determinou na tarde do dia 20 de março o fechamento de comércios não essenciais em todo o estado. A medida tem validade de 15 dias, a partir deste sábado (21). Restaurantes e lanchonetes só poderão funcionar até as 16 horas. Fora desse horário, esses estabelecimentos poderão funcionar apenas com o serviço de delivery (entrega em casa). As medidas determinadas por Casagrande vai ao encontro do que já vem acontecendo no restante do Brasil.

São Paulo

Bares, padarias, restaurantes podem abrir desde que haja reforço nas regras de higiene

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, decretou que a partir do dia 20 de março, boa parte do comércio da capital será fechado para conter a disseminação do COVID-19. No entanto, bares, padarias, restaurantes, lojas de conveniência e de venda de alimentação para animais podem abrir desde que haja reforço nas regras de higiene. Os estabelecimentos de alimentação deverão dar espaçamento mínimo de 1 metro entre as mesas, oferecer gratuita de álcool em gel para os clientes, ampliar a limpeza e distribuição informações sobre como prevenir o novo coronavírus.

Minas Gerais

Estabelecimentos de Belo Horizonte apostaram no delivery

O dia 20 de março de 2020 marcou o início dos fechamentos de bares e restaurantes em Belo Horizonte. O decreto é do prefeito Alexandre Kalil. Para superar o momento de quarentena, os estabelecimentos de Belo Horizonte apostaram nas entregas. Alguns, incertos sobre o futuro de seus negócios, reduziram equipes e deram férias a parte de funcionários.


Diante dessa situação preocupante para o setor de bares e restaurantes, a Abrasel tem divulgado recomendações sobre como os estabelecimentos devem se portar durante a crise causada pelo novo coronavírus. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes lançou gratuitamente um ebook com dicas sobre cuidados higiênicos que estabelecimentos e entregadores de delivery devem tomar. Para acessar o ebook, clique aqui.

Fotos: Pexels/Ilustração

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